"As narrativas transmidiáticas se desenrolam através de múltiplos suportes midiáticos, com cada novo texto contribuindo de forma distinta e valiosa para o todo. Na forma ideal de narrativa transmidiática, cada meio faz o que faz de melhor - a fim de que uma história possa ser introduzida em um filme, ser expandida pela televisão, romances e quadrinhos; seu universo possa ser explorado em games ou experimentado como atrações de um parque de diversões..."
Um dos primeiros games que ultrapassou a barreira de uma única mídia e passou a utilizar de outras narrativas para atingir e conquistar o público foi Pokémon! Sim, as aventuras de Ash e Pikachu criaram um império há alguns anos e até hoje conquistam novos espectadores. Qual o segredo? Uma história: Um garoto tem o sonho de ser o maior treinador de pokémons. E infinitas outras histórias que saltavam e nasciam, com os jogos e os filmes.
Quando parei de jogar, existiam quatro filmes, que contavam sobre os lendários pokémons, que surgiam nas aventuras do menino de boné vermelho... Porém a aventura de Ash continuava e os filmes traziam aspectos próximos aos episódios da TV, como, por exemplo, o local da aventura. E os games? Vivi a época em que surgiriam 100 novos pokémons!!! O que lembro dessa época é que algumas semanas após comprar minha nova edição de Pokémon, os pokémons surgiam nas aventuras da televisão e modificavam e reconstruiam a árdua trajetória de Pikachu e seus amigos.
Esse foi o princípio da presença de games na construção da comunicação em diversas plataformas, ferramenta largamente usada nos dias de hoje.
E nos dias de hoje? Citarei o exemplo do game Batman: Arkham Asylum.
Este premiado game (venceu prêmios de melhor roteiro de games em 2009) conta a história do super herói Batman ingressando em um manicômio onde seus maiores vilões vivem. Após um mês do lançamento do jogo, surgiu na internet um site chamado Arkham Care, que rapidamente foi apresentado em blogs, fóruns de discussão especializados no game, etc. O Arkham Care trazia informações que eram aparentemente reais sobre os corredores do manicômio, das formas de tratamento de insanidades mentais, de alguns pacientes. O que os jogadores aproveitaram desse site? As imagens encontradas no site serviam de mapas especiais dentro do jogo. Assim uma outra história aparentemente não relacionada era uma mina de ouro para todos os jogadores de Arkham Asylum. Para o mesmo game, o site www.gothamcitydigital.com trazia imagens das câmeras da cidade e outras informações sobre o Arkham Asylum. É exatamente nesse aspecto que os comunicadores têm trabalhado as narrativas transmidiáticas.
Então, espero que esta forma de contar história seja feita cada vez mais e mais por nós comunicadores de forma inteligente, intrínseca, e interessante tornando aquilo que consumimos como não comunicadores mais do que uma simples história, mas uma grande experiência.
PS: Vem aí o novo Batman: Arkham City, onde os malucos de Gotham City fogem do manicômio e dão continuidade ao game anterior. Grandes expectativas.
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