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terça-feira, 26 de abril de 2011

[ecomm] "Leilão" de centavos

Um negócio bastante questionável de comércio eletrônico que está ganhando popularidade é o dos “leilões de centavo”. Para participar, a pessoa compra pacotes de lances, onde cada um custa entre 50 centavos e 1 real. Cada vez que alguém aposta, o valor do produto aumenta 1 centavo, até o momento em que o cronômetro zera sem novos lances e o objeto é vendido. O modelo lembra uma loteria e a frustração de quem gasta um valor alto em lances e não arremata nada é alta. “As pessoas entendem que estão comprando a possibilidade de adquirir algo por um valor bem mais barato”, afirma Guilherme Pizzini, diretor comercial do Olho no Click, que fez uma parceria com a construtora Rossi para leiloar um apartamento de 250.000 reais no Rio de Janeiro.

De fato, quem ganha sai sorrindo, por economizar mais de 90%. O problema é pra todos os que perdem – e perder é muito fácil. Isso porque quem ganha não é quem aposta mais, e sim quem aposta por último. Uma falha na conexão e você pode perder o produto e todos os lances que você deu e pagou. Por exemplo: No leilão de um iPad 3G de 16GB, uma pessoa fez 1.563 lances. Ela teve de pagar até R$1.760 por eles. Ela ganhou o leilão, mas se tivesse perdido, sairia sem iPad e com quase dois mil reais a menos no bolso. Aliás, como saber que quem ganhou é uma pessoa real, e não o próprio site?

Muitos dizem que acaba sendo um jogo de azar, pois é um jogo de apostas onde os jogadores, de um certo modo, dependem da sorte. Creio que o correto seria conscientizar o usuário de que está apostando ao invés de comprando.

De qualquer modo, ao final haverá um usuário contentíssimo por ter em sua casa um Macbook de 4 mil reais, tendo gasto menos de mil reais. É capaz de vermos sua imagem sendo veiculada nos portais de leilões de centavos junto a uma declaração valorizando o feito – publicidade já usada por quase todos eles. Por outro lado, muitas pessoas perceberão, ao fim do mês, que suas contas bancárias estão menores, mas, em troca, não receberam nada.

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